sábado, 12 de abril de 2008

O papel da ressonância magnética no diagnóstico do adenoma pleomórfico: revisão da literatura e relato de casos

Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

ISSN 0034-7299 versión impresa

Rev. Bras. Otorrinolaringol. v.69 n.5 São Paulo sep./oct. 2003

doi: 10.1590/S0034-72992003000500016

ARTIGO DE REVISÃO

O papel da ressonância magnética no diagnóstico do adenoma pleomórfico: revisão da literatura e relato de casos

The role of magnetic resonance imaging in the diagnosis of pleomorphic adenoma: literature review and case reports

Rejane F. Ribeiro-RottaI; Mirna L. CruzII; Rogério R. PaivaIII; Elismauro F. MendonçaIV; Túlio H. SpiniV; Alexandre R. MendonçaVI

I Professora adjunto doutora, Disciplinas de Semiologia e Estomatologia, Departamento de Ciências Estomatológicas, FO/UFG, Coordenadora do Centro Goiano de Doenças da Boca/FO/UFG, Pesquisadora Visitante do Eastman Dental Center, University of Rochester, Nova York, Estados Unidos da América
IIAcadêmica de Odontologia, Estagiária do Centro Goiano de Doenças da Boca, FO/UFG
IIIPós-graduando em nível de mestrado, Programa de Mestrado Profissionalizante em Radiologia Bucomaxilofacial, FO/UFG; Professor Assistente, Disciplina de Radiologia, FO de Anápolis
IVProfessor titular, Disciplina de Patologia Bucal, Departamento de Ciências Estomatológicas, FO/UFG, Pos-doutor pela University of Texas at San Antonio, Estados Unidos da América
VCirurgião-dentista, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e Patologia Bucal
VIMédico radiologista, Fundação José Normanha, Instituto Goiano de Radiologia, Goiânia-GO

Endereço para correspondência


RESUMO

O diagnóstico precoce de lesões como o adenoma pleomórfico (AP) de glândulas salivares pode ser limitado pela localização profunda e difusa destas glândulas nos tecidos moles da região de cabeça e pescoço. Esta dificuldade agrava-se pelo fato de não se poder estabelecer os limites de tais lesões apenas pelo exame clínico. Das modalidades de exames por imagem, a ressonância magnética (RM) tem demonstrado papel de destaque no diagnóstico do AP por fornecer alta definição dos tecidos moles, sem a utilização de radiação ionizante, sendo uma das mais indicadas para esta finalidade. O objetivo deste estudo foi discutir, por meio de revisão da literatura, a importância dos vários métodos de diagnóstico por imagem, suas vantagens e desvantagens, enfocando a utilização da RM no diagnóstico e plano de tratamento do AP de glândulas salivares. O relato de dois casos ilustra as principais justificativas para a superioridade das imagens por RM no diagnóstico da referida lesão.

Palavras-chave: adenoma pleomórfico, ressonância magnética, tomografia computadorizada, glândulas salivares.


SUMMARY

The deep and diffuse distribution of salivary glands in the soft tissue of the head and neck region is one common limitation to the early diagnosis of Pleomorphic Adenoma (PA) from those glands. The limits of this type of lesion cannot be established by clinical exam only. Magnetic resonance imaging (MRI) has being playing an important role in the diagnosis of the AP. This image modality provides high resolution of soft tissue with no ionizing radiation. The majority of the studies have been shown it superiority for this purpose. The aim of this study was to review the literature and to discuss the importance, advantages, and disadvantages of the different imaging techniques for the diagnosis and treatment plan of the most prevalent neoplasm of salivary glands - Pleomorphic Adenoma. Reports of clinical cases will illustrate the most important reasons that justify the superiority of MRI for the above-mentioned investigation.

Key words: pleomorphic adenoma, magnetic resonance imaging, computed tomography, salivary glands.


INTRODUÇÃO

O adenoma pleomórfico (AP) ou tumor misto benigno é a neoplasia de glândulas salivares de maior incidência, tanto nas glândulas maiores como nas menores (Quadro 1)1-3. Apenas ocasionalmente ele se apresenta em outras áreas cervicofaciais, como canal auditivo externo, nariz e laringe4. A localização profunda e difusa dessas glândulas no tecido conjuntivo de vários sítios da região de cabeça e pescoço determina dificuldades no diagnóstico clínico precoce dessa neoplasia.

O exame por imagem tem demonstrado papel de destaque no estabelecimento da origem, localização e limites da lesão, em especial as técnicas tomográficas. As radiografias convencionais são limitadas, sendo úteis apenas para a triagem de lesões adjacentes a tecidos mineralizados. A ultra-sonografia (US) apesar da sua não invasividade, de tratar-se de técnica fácil5, útil na diferenciação de lesões intra e extraglandulares6, também é limitada na avaliação dos espaços profundos da região de cabeça e pescoço, especialmente pela interposição óssea, além de ser uma técnica instrutor-dependente. A tomografia computadorizada (TC), apesar de permitir a visualização dos tecidos moles em cortes seccionais, não oferece a definição de detalhes dos mesmos, dificultando o diagnóstico diferencial daquelas lesões localizadas profundamente na região de cabeça e pescoço7,8. A TC requer, na maioria dos casos, altas doses de radiação ionizante e a injeção de meios de contraste. A ressonância magnética (RM) é uma técnica tomográfica que oferece alta definição dos tecidos moles, permitindo a diferenciação entre lesões intra e extraglandulares e uma melhor distinção entre a glândula salivar, a lesão e os tecidos adjacentes. A RM não utiliza radiação ionizante, sendo mais uma das mais indicadas para essa finalidade9-12. O objetivo deste estudo foi, por meio de revisão da literatura, discutir a importância dos vários métodos de diagnóstico por imagem, suas vantagens e desvantagens, enfocando a utilização da RM no diagnóstico e plano de tratamento do AP de glândulas salivares, ilustrados pelo relato de dois casos clínicos.

REVISÃO DA LITERATURA

Os aspectos clínicos do AP geralmente incluem: lesões solitárias, ovóides, de margens bem delimitadas. A lesão é móvel, exceto quando ocorre no palato, apresenta crescimento lento e assintomático, suas dimensões podem variar de poucos milímetros a vários centímetros, ocorrendo mais freqüentemente na 4ª e 5ª décadas de vida, com ligeira predominância no gênero feminino7,13-17.

Neoplasias malignas em glândulas salivares menores apresentam uma incidência menor que 2% de todos os casos de tumores. Entretanto, as neoplasias não tratadas destas glândulas podem sofrer degeneração maligna com uma incidência de 5% a 25% dos casos3,7,18,19.

Uma característica histopatológica de destaque do AP é a sua grande heterogeneidade, com proliferações celulares de número variável, apresentando características mioepiteliais, estruturas ductiformes e um estroma com tecido condróide, mixóide, hialino, adiposo e/ou ósseo, possuindo cápsula conjuntiva fibrosa de espessura e integridade variáveis. A encapsulação incompleta é mais comum nos neoplasmas de glândulas salivares menores, especialmente ao longo da porção superficial daqueles localizados no palato, abaixo da superfície epitelial7,8,14,15,17.

Ocasionalmente, essas neoplasias podem apresentar lesões circunvizinhas, extracapsulares, que em imagens seccionais mostram-se como áreas pediculadas de crescimento externo à neoplasia principal. Nas lesões de grandes dimensões, além de áreas pediculadas, também podem estar presentes necrose, hemorragia e calcificações ou ossificações7,8,14,15,17. A presença de áreas de necrose, mitose atípica, invasividade e extensa hialinização sugerem a possibilidade de malignização14,18. Calcificações no interior da massa sugerem neoplasia benigna ou, menos comumente, schwannoma ou carcinoma mucoepidermóide7.

As lesões em glândulas salivares menores são histologicamente semelhantes às que ocorrem em glândulas salivares maiores, apesar de haver uma tendência para que muitas das lesões daquelas glândulas sejam predominantemente celulares, com o mínimo de estroma e componente cartilaginoso14,18. A identificação histopatológica desses tumores em outras regiões do corpo que não de glândulas salivares nem sempre é exata, sendo que a imunohistoquímica pode contribuir significativamente para a formulação de um diagnóstico final e realização de um acompanhamento adequado4.

Tem sido descrito que células de áreas ductais e áreas sólidas no AP apresentam uma atividade maior do que as áreas de células condróides, estando relacionadas com uma possível transformação maligna20.

As informações fornecidas pelas radiografias convencionais no diagnóstico do AP são limitadas. Estes métodos são utilizados como exame de triagem para lesões que estão adjacentes a tecidos mineralizados, como nos casos da região de palato duro. Neste local, uma imagem radiotransparente bem definida, provavelmente devido à reabsorção óssea por compressão, gerada pela expansão da neoplasia, têm sido eventualmente descrita, podendo sugerir lesão maligna21. Quando glândulas salivares menores estão envolvidas, imagens por TC e/ou RM podem ser os exames de escolha7.

A US é um método de diagnóstico por imagem não invasivo, de técnica fácil5, útil na diferenciação de lesões intra e extraglandulares6. Shimizu et al., em estudo utilizando a US no diagnóstico de tumores da parótida, descreveu as características sonomorfológicas do AP, enfatizando a forma lobular como característica importante no diagnóstico diferencial do AP22. Outros autores descrevem algumas limitações no uso da US para o diagnóstico de lesões de glândulas salivares e sugerem que a investigação seja feita associada a outros métodos de exame por imagem, especialmente nas lesões maiores que 3 cm, localizadas no palato7,23. Essas limitações incluem: pouca disponibilidade de transdutores que viabilizem o exame intrabucal; não visualização de toda a profundidade da glândula parótida (lobo medial), devido à interposição da mandíbula5,6.

Nas imagens por TC, as lesões pequenas têm sido descritas como ovóides e de aparência homogênea, enquanto que as lesões maiores têm, na maioria das vezes, um aspecto heterogêneo, com áreas de baixa atenuação, que correspondem às áreas císticas e de necrose. Áreas de atenuação aumentada representam, com freqüência, hemorragia recente e podem estar associadas, clinicamente, a um aumento súbito no tamanho da lesão e à dor localizada. O contorno lobulado, em especial nas neoplasias maiores, é novamente destacado como um sinal importante para o diagnóstico diferencial. A TC é a melhor técnica para identificar as calcificações distróficas quando presentes no interior da lesão7,8.

Em caso de malignização de lesões na região do palato, em que há invasão e destruição de cortical óssea, a TC é o exame de escolha. Na maioria desses casos, as características das imagens revelam um tumor amplo, de imagem heterogênea, estendendo-se além da linha média, invadindo seio maxilar, com destruição da cortical óssea7,24,25.

As imagens por RM podem apresentar um sinal homogêneo ou heterogêneo, e para o entendimento do significado deste sinal é fundamental se ter noções básicas dos princípios físicos de aquisição dessas imagens, apesar de não ser objetivo deste estudo. As imagens por RM correspondem ao mapeamento dos prótons de hidrogêneo dos diferentes tecidos orgânicos, obtido através de medidas de energias processadas por um computador e traduzidas na forma de imagem digital. Neste processamento estão envolvidos dois mecanismos principais - o T1 e o T2 - resultantes da interação das características do tecido específico com os parâmetros técnicos estabelecidos pelo operador. Na seqüência T1 as principais fontes de imagens mais brilhantes seriam a gordura, os cristais de colesterol, secreções hiperproteicas, melanina e hemorragias agudas, sendo a melhor seqüência para a análise anatômica da região em estudo. Na seqüência T2, as imagens brilhantes estão freqüentemente relacionadas à presença de fluídos (Ex.: edema, líquidos císticos, etc.)16,26.

Em T1, os APs apresentam um isosinal em relação à musculatura e em T2 sinal iso e/ou hiperintenso. O aumento da intensidade de sinal em T2 poderia ser atribuído à grande quantidade de tecido mixóide ou áreas císticas na neoplasia16. Entretanto, o padrão de hiperintensidade de sinal também pode ser encontrado em lesões que não apresentam áreas císticas e com pequena quantidade de tecido mixóide. A presença de uma linha circunjacente de sinal hipointenso poderia estar relacionada à imagem da cápsula. Uma das maiores limitações da RM no diagnóstico do AP é a incapacidade desta técnica em diferenciar as áreas de calcificações distróficas das áreas focais de fibrose8,11,16. As características das diferentes estruturas que compõem o AP estão resumidas no Quadro 2.

A RM tem demonstrado inúmeras vantagens no diagnóstico do AP, quando comparada com outros métodos de diagnóstico por imagem, como a TC e a US. Dentre elas, destacam-se:

• Projeções multiplanares (axiais, coronais e sagitais) livres de artefatos, obtidas sem mudar o paciente de posição, sem a injeção de meios de contraste e sem radiação ionizante, permitem a identificação topográfica da neoplasia e sua relação com as estruturas anatômicas circunvizinhas9-11;
• O excelente contraste dos tecidos moles permite a diferenciação entre lesões intra ou extraglandulares e a melhor distinção entre glândula salivar, lesão e tecidos adjacentes9-11;
• O intenso sinal da gordura intermuscular em T1 determina uma excelente individualização dos músculos e o baixo sinal do fluxo sanguíneo permite a visualização de vasos maiores10.
• Melhor definição das margens da lesão, exceto quando existem áreas de calcificações distróficas, em que as imagens por TC são superiores11.
• Estudos dinâmicos utilizando imagens por RM têm sugerido que a combinação dos padrões da curva dinâmica de realce ao meio de contraste e as características da margem do tumor nas lesões de glândulas salivares podem auxiliar na diferenciação entre tumores benignos, malignos ou lesões inflamatórias12.

Uma sinopse da literatura revisada (Tabela 1) destaca 18 estudos, que totalizaram a ocorrência de 588 casos de AP num período de 27 anos (1975 a 2002), sendo 431 casos em estudos epidemiológicos1,3,12,20, 97 casos em estudos clínicos4,5,9-11,14,17,21-25,27 e 60 casos de estudos histológicos13.

Em dois dos 18 estudos apresentados na tabela, a radiografia convencional foi solicitada previamente a outras técnicas, sendo que em ambos os casos o palato estava envolvido24,25. O exame por imagem mais solicitado foi a TC, aparecendo em 7 estudos. De forma geral, as principais indicações para seu uso incluíram definição dos limites da lesão, presença de calcificações no seu interior, dimensões, localização precisa, lesões múltiplas, identificação de características intrínsecas da lesão e possíveis alterações ósseas10,11,14,23-25,27. Dois estudos avaliaram a importância da TC no diagnóstico do AP23,27. O segundo exame mais solicitado foi a RM, aparecendo em 5 estudos, sendo em 4 acompanhados por TC9-12,27. A US foi utilizada em 3 estudos da literatura revisada5,22,27.

As imagens seccionais são, freqüentemente, fundamentais no plano de tratamento do AP das glândulas salivares maiores ou menores, visto que o tratamento de eleição para estas lesões é a excisão cirúrgica total. Neste contexto, estudos7,10 têm demonstrado que a RM tem um papel de destaque nas lesões que envolvem os espaços profundos da região de cabeça e pescoço, porque permite uma boa discriminação entre a lesão e tecidos adjacentes, devido ao contraste do hipersinal em T1 da gordura do espaço mais central daquela região - o espaço parafaríngeo. Nos casos de neoplasias na região de parótida, tem sido destacada a importância da preservação do nervo facial, quando o mesmo não estiver envolvido, sendo que esta análise, quando possível, só o é através de imagens seccionais. A remoção incompleta dos AP pode resultar em recidiva, comumente com focos tumorais múltiplos7,25. Porém, autores sugerem que a cada recorrência aumenta-se a possibilidade de transformação maligna8,15,18,28. A TC revela-se superior na identificação da presença de calcificações e áreas de necrose no interior da massa tumoral, sinais estes que representam, respectivamente, benignidade e possível malignização da lesão7,8,11,14,15,17. A recorrência varia de 5% a 50%, apresentando crescimento muito lento, podendo ser diagnosticado novamente 10 a 20 anos após a primeira intervenção cirúrgica27.

CASO CLÍNICO 1

Paciente gênero feminino, 43 anos, leucoderma, encaminhada por cirurgião-dentista clínico geral à disciplina de Estomatologia da FO/UFG, com queixa principal de "caroço no céu da boca".

Ao exame clínico intrabucal, observou-se prótese total superior em condições precárias, confeccionada há 20 anos. Na superfície interna da prótese havia a impressão de uma concavidade, que coincidia com aumento volumétrico do palato duro à esquerda, medindo aproximadamente 3,0 x 2,5 cm, de consistência elástica e assintomática à palpação, de coloração esbranquiçada na periferia e áreas eritematosas na região central (Figura 1).

Não foram observadas quaisquer alterações ósseas significativas nas radiografias panorâmica e oclusal e a punção aspirativa foi negativa.

Os cortes microscópicos da biópsia incisional revelaram proliferações epiteliais em ninhos, cordões e estruturas ductiformes com células luminares cuboidais ou achatadas. Por vezes, estas estruturas ductais estavam preenchidas por material amorfo hialino, envoltas por um estroma de tecido conjuntivo fibroso, exibindo áreas focais de densa colagenização, áreas hialinas amorfas, áreas mixóides e áreas condróides, cujo diagnóstico anatomopatológico foi de adenoma pleomórfico.

O exame de RM foi realizado após a biópsia incisional, o que ocorreu sem ônus para a paciente. Estas imagens confirmaram tratar-se de lesão oval bem delimitada, de contornos regulares na região ântero-lateral esquerda do palato duro. A lesão apresentava-se tenuamente heterogênea, com isosinal à musculatura em T1 (Figura 2a) e discretamente hiperintenso em T2 (Figuras 2c, 2d), com realce moderado após infusão do contraste paramagnético (Figura 2b). A lesão apresentava aproximadamente 2,1 x 1,4 x 1,2 cm em seus maiores diâmetros, sem plano de clivagem nítido com o assoalho da cavidade nasal e seio maxilar esquerdos adjacente (Figuras 2b, 2d). Observou-se, ainda, espessamento grosseiro da mucosa dos seios maxilares e de algumas células etmoidais, cujo sinal hiperintenso em T2 sugere uma sinusite dessas cavidades paranasais (Figuras 2b, 2c, 2d).

A exérese total da lesão foi realizada, deixando comunicação bucosinusal que persistiu no pós-operatório de 30 dias. A paciente retornou para reavaliação apenas 6 meses após a cirurgia, quando pode-se observar a total cicatrização por segunda intenção e a ausência da comunicação buco-sinusal. O anatomopatológico da peça confirmou o diagnóstico de adenoma pleomórfico (AP).

CASO CLÍNICO 2

Paciente gênero masculino, 42 anos, leucoderma, foi encaminhado pelo NAPEO - Núcleo de Atendimento ao Paciente Especial em Odontologia (Itumbiara-GO) para o Centro Goiano de Doenças da Boca - CGDB/FO/UFG (Goiânia-GO), com hipótese diagnóstica de neoplasia de orofaringe com expansão do palato mole. O paciente já havia sido submetido a exame de TC e a biópsias prévias da região de palato mole, cujo laudo anatomopatológico foi compatível com tecido glandular normal ou hiperplasia adenomatóide de origem medicamentosa, sujeito à confirmação clínica.

Ao exame clínico a queixa principal do paciente era de "carne crescendo na boca" há aproximadamente 10 anos, tendo percebido o aumento na região de orofaringe acentuar-se nos últimos 3 meses. Ele associava a alteração da anatomia da orofaringe com o aparecimento de ronco durante o sono. A história médica pregressa revelou cirurgia de remoção da vesícula biliar e que o paciente não fazia uso regular de qualquer medicação. Na história odontológica pregressa, bem como na história familiar, não foi encontrado nada digno de nota. Paciente foi fumante durante 17 anos (12 cigarros/dia), tendo parado há um ano, no momento da consulta.

Ao exame físico intrabucal, observou-se aumento de volume bem delimitado, localizado na região de palato mole à direita, estendendo-se para orofaringe, recoberto por mucosa discretamente avermelhada, medindo aproximadamente 3,5 cm no seu maior diâmetro, assintomático, apresentando superfície irregular com cicatriz cirúrgica e resiliência à palpação (Figura 3).

Na TC encaminhada com o paciente, observou-se lesão ovalada, com densidade de partes moles, contorno nítido, sem calcificações no seu interior, provocando deslocamento medial da gordura do espaço parafaríngeo e da parede lateral da orofaringe (Figura 4a), com discreto realce após injeção de contraste (Figura 4b). Observou-se, ainda, rechaçamento e abertura das lâminas do processo pterigóideo direito do osso esfenóide (Figura 4a), sugerindo crescimento lento com remodelação óssea, compatível com o comportamento biológico de lesões benignas. Entretanto, este exame não foi esclarecedor quanto aos limites da lesão em relação à glândula parótida, ao espaço carotídeo e músculos do espaço mastigatório (Figuras 4a e 4b).

Para o diagnóstico diferencial e melhor visualização do conteúdo desses espaços anatômicos, foi indicada uma RM da região. As imagens obtidas em um campo magnético de 2.0 Teslas, utilizando as seqüências Spin Echo T1 sagital, axial, coronal e Fast Spin Echo T2 axial, revelaram lesão expansiva ovalar, com sinal isointenso em T1, em relação à musculatura (Figuras 5a e 5b), sinal hiperintenso heterogêneo em T2 (Figura 5d), localizada predominantemente no espaço parafaríngeo direito, sem plano de clivagem nítido com o espaço parotídeo (Figuras 5a e 5d). A lesão com aproximadamente 5,5 X 4,1 cm de diâmetro apresentou realce moderado e heterogêneo em T1, após infusão de meio de contraste paramagnético (Figura 5c). Observou-se, ainda, compressão e rechaçamento das estruturas anatômicas circunjacentes, sem sinais de invasividade e ausência de adenomegalia regional (Figuras 4 a 5).

O paciente foi encaminhado para tratamento no Hospital Araújo Jorge da Associação de Combate ao Câncer em Goiás. Após biópsia transcirúrgica por congelação, a qual não revelou sinais de neoplasia maligna, procedeu-se a exérese da neoplasia, utilizando-se acesso cirúrgico intrabucal. O laudo anatomopatológico da peça cirúrgica revelou ausência de atipias celulares, presença de proliferação de células mioepiteliais, estruturas ductiformes, componentes mesenquimais lembrando áreas condróides, circundados por uma tênue cápsula fibrosa, compatível com AP do espaço parafaríngeo. No pós-operatório de 40 dias, o paciente evoluiu bem, sem intercorrências, com cicatrização normal, estando o mesmo, ainda, em proservação.

DISCUSSÃO

O diagnóstico por imagem do AP sofre grande variação quando se considera o método utilizado. Em radiografias convencionais, como ocorreu no caso 1, nenhuma alteração óssea significativa pode ser identificada. De acordo com Pinto et al.21, quando a destruição óssea do palato duro é observada, esta pode estar associada à lesão, sendo isto sugestivo de malignidade.

A indicação da US para ambos os casos não era a melhor opção, por não se tratarem de lesões externas e pela dificuldade de acesso a transdutores que viabilizassem o exame intrabucal5-7.

No caso 2, descartadas as possibilidades de neoplasia de glândulas salivares menores da região de palato mole pelos resultados dos anatomopatológicos, e de uma adenomatose medicamentosa sugerida pelo patologista, visto que o paciente não fazia uso de qualquer medicação, a hipótese diagnóstica foi de uma lesão oriunda de estruturas mais profundas da região de orofaringe. Esta localização anatômica foi uma das principais justificativas para a solicitação das imagens seccionais para o caso, as quais propiciariam a análise da relação da neoplasia com os espaços anatômicos e seus conteúdos.

No que se refere a tumores do espaço parafaríngeo, Lloyd et al.10 demonstraram que as imagens por RM permitem uma boa discriminação entre a musculatura e a lesão, devido ao contraste do hipersinal em T1 da gordura do referido espaço. A RM evidencia, ainda, o deslocamento dos vasos no interior do espaço carotídeo. Em geral, nos tumores dos espaços parotídeo e parafaríngeo a artéria carótida e veia jugular internas podem estar em posição concêntrica no espaço carotídeo ou posteriormente deslocadas, ao contrário de tumores de origem neural, em que 2/3 dos casos apresentam deslocamento anterior desses vasos10.

Todas as neoplasias de glândulas salivares são melhores identificadas nas imagens por RM do que naquelas por TC7. Porém, quando calcificações e áreas de necrose estão presentes no interior da massa tumoral, a TC revela-se superior7,11. Nos dois casos clínicos apresentados não havia sinais de calcificações.

As imagens do AP, em geral, tanto na TC quanto na RM evidenciam lesões com características de benignidade, sendo as menores de aparência homogênea e as maiores heterogêneas7.

A literatura revela um consenso de que RM é superior à TC no diagnóstico de lesões de glândulas salivares10. Nos casos em que a RM é acessível, a TC como rotina ou exame pré-cirúrgico tem sido considerada dispensável18. No entanto, dois aspectos importantes devem ser considerados:

1. A área central de necrose em APs que sofreram malignização bem como a invasão e destruição de cortical ósseas causada por esta lesões é melhor visualizada na TC11. Nesta modalidade de imagem, áreas de atenuação reduzida no centro da massa tumoral têm sido relacionadas à necrose ou alterações císticas7,11,29.
2. Nas lesões extensas, heterogêneas, que sugerem arquitetura tecidual complexa, não é possível correlacionar com precisão, qual célula específica da lesão fornece determinado sinal. Nestes casos, a RM não forneceria informações adicionais se comparada à TC11.

Na lesão do palato (Caso 1), duas vezes menor que a do espaço parafaríngeo (Caso 2), havia o predomínio do tecido mixóide, enquanto que na última o padrão era mais sólido (celular). Em termos de sinal de RM, o aspecto que poderia corresponder a estas diferenças histopatológicas seria a discreta heterogeneidade do isosinal em T1 do caso 1 (Figura 2a), se comparado ao isosinal mais homogêneo da lesão do caso 2 (Figura 5a). As intensidades de sinal em T2 e após infusão do meio de contraste foram semelhantes para os dois casos, a despeito da maior quantidade de áreas mixóides e de estruturas ductiformes com conteúdos mucóides no caso 1, que poderiam sugerir um sinal mais intenso em T216. Estudos mais aprofundados seriam necessários para confirmar tais hipóteses.

A cápsula conjuntiva evidente no Caso 2, possivelmente relacionada à linha de hiposinal que contornava a imagem da lesão em T1 (Figura 9b), não foi identificada na lesão do palato (Caso 1), lesão esta que apresenta limites menos definidos na RM, sugerindo encapsulação incompleta como descrito na literatura7,8,14,15,17.

Ainda no Caso 2, a RM foi superior em relação à TC, pois além de permitir a identificação mais precisa dos limites da lesão em relação aos espaços e estruturas anatômicas, também confirmou a presença de lesão satélite, sugerida nas imagens pós-contraste da TC, descartando a possibilidade de uma linfoadenopatia.

Para o Caso 1, a falta de um plano de clivagem nítido entre a lesão e o assoalho da cavidade nasal, bem como com o seio maxilar esquerdos adjacentes (Figura 4b, 4d), foram informações fundamentais, fornecidas pela RM, para auxiliar o cirurgião no planejamento cirúrgico, incluindo a previsão de possível comunicação buco-naso-sinusal no pós-operatório.

No que diz respeito ao tratamento, todas as informações fornecidas pelas imagens seccionais foram fundamentais, não apenas para o planejamento cirúrgico, mas também para o diagnóstico diferencial10,19.

As neoplasias benignas mais freqüentes do espaço parafaríngeo incluem os lipomas e o adenoma pleomórfico, sendo este último, também, a lesão mais prevalente no espaço parotídeo. No espaço carotídeo o paraganglioma e as neoplasias neurogênicas são os mais freqüentes8,10,11,29,30. No caso 2, apesar de todas as informações fornecidas pelas imagens por RM, não foi possível definir se a lesão se encontrava exclusivamente no espaço parafaríngeo ou se era proveniente do espaço parotídeo. Com base nestas considerações, a hipótese clínica sugerida para a indicação cirúrgica foi o adenoma pleomórfico. A dificuldade de acesso à lesão foi determinante para o estabelecimento de um plano de tratamento que incluía biópsia transcirúrgica por congelação, seguida da enucleação da lesão.

No Caso 1, a opção pela biópsia incisional, previamente à excisão da lesão, deveu-se ao fato de que entre as lesões mais prevalentes no palato duro encontram-se neoplasias malignas como o adenocarcinoma3 que, clinicamente, podem simular uma lesão benigna. Além disso, sua localização era de fácil acesso. A indicação da RM foi especialmente para o planejamento cirúrgico, visto que o diagnóstico anatomopatológico já havia sido estabelecido. A escolha deste método justificou-se pela não invasividade biológica e superioridade do mesmo para avaliar tecidos moles, associado à sua disponibilidade para a paciente naquele momento. A TC também poderia ter sido o exame de escolha, por tratar-se de lesão de tecidos moles limitada por tecido ósseo.

Sendo assim, sugerimos que havendo a disponibilidade do exame de RM para o paciente, ele deveria ser a primeira opção para o diagnóstico diferencial e plano de tratamento dos AP de glândulas salivares. A indicação da TC como primeira opção ficaria para os casos de dificuldade de acesso à RM ou como exame complementar à RM, na análise da invasão de corticais ósseas e/ou presença de calcificações e áreas de necroses intratumorais.

CONCLUSÃO

Por meio da revisão de literatura, ilustrada pelo relato de casos clínicos, podemos concluir que a RM e a TC podem fornecer informações que se complementam no diagnóstico do AP. Os principais aspectos que justificam a superioridade das imagens por RM para esta finalidade foram:

• Alto contraste do tecidos moles em cortes seccionais multiplanares, sem mudar o paciente de posição;
• Não invasividade biológica;
• Fornecimento de informações anatômicas e fisiológicas minuciosas, caracterizando melhor os aspectos mistos da referida neoplasia e sua relação com espaços e estruturas anatômicas.

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Endereço para correspondência
Rejane Faria Ribeiro-Rotta
Rua C235 nº 1323 ap. 1501 Edifício Leblon Setor Nova Suíça
Goiânia GO 74280-130
Tel (0xx62) 259-3766
E-mail: rrrotta@odonto.ufg.br

Artigo recebido em 11 de fevereiro de 2003
Artigo aceito em 13 de maio de 2003

Faculdade de Odontologia/ Universidade Federal de Goiás - Centro Goiano de Doenças da Boca (CGDB)
Trabalho apresentado no 12º Congresso Internacional de Odontologia de Goiás-Setembro de 2002.

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RX - RESPOSTAS DETALHADAS ÀS PERGUNTAS MAIS FREQUENTES.

RX – Respostas detalhadas às perguntas mais freqüentes:

X-Rays: Detailed Answers frequently Asked Questions.

Compend. Contin. Educ. Dent. V. 16, n. 3, p. 393/398, Mar 1993

Kavas H. Thunthy

Professor de Radiologia Bucomaxilofacial do Departamento de Diagnóstico Bucal, Medicina e Radiologia da Escola de Odontologia de Lousiana. New Orleans. Louisiana.

Resumo

Nos últimos anos, grupos de consumidores, ambientalistas, mídia noticiosa, agências governamentais, e profissionais de saúde estão cada vez mais preocupados com o potencial de risco das exposições aos Raios X. Como resultado, o uso dos raios X nos diagnósticos médicos e odontológicos está sendo questionado. Os pacientes têm muitas perguntas sobre os raios X, outros resolveram não mais se expor e confrontam o Cirurgião Dentista sobre o perigo da radiação. Essa recusa de se expor à radiação se origina da má informação, do desconhecimento e do medo. Pacientes bem informados discutirão e compreenderão a necessidade do uso do diagnóstico por meio de raios X. O propósito deste artigo é discutir em detalhes, as perguntas mais freqüentemente feitas pelos pacientes sobre raios X. Algumas dessas perguntas já oram tratadas em outra publicação e este artigo serve como uma expansão daquele.

Unitermos: Exame radiográfico, Proteção, Normas.

@ As radiografias dentárias são realmente necessárias?

Sim. Os processos mórbidos que envolvem os dentes e tecidos adjacentes nem sempre são visíveis durante um exame clínico da cavidade bucal. Sem o uso de radiografias, essas condições patológicas como lesões cariosas, cistos, tumores e perda óssea periodontal podem passar desapercebidas por algum tempo. Mais tarde essas condições podem produzir dor e extenso dano tecidual, que custará para o seu tratamento mais tempo e dinheiro. As radiografias são executadas para o benefício do paciente, para que ele possa receber o tratamento apropriado nos estágios iniciais do processo da doença. As doenças bucais não descobertas podem afetar adversarmente a saúde geral do paciente ou até podem colocá-la em risco.

@ Com que frequência os Cirurgiões Dentistas devem radiografar seus pacientes?

Um paciente deve ser radiografado para um diagnóstico apropriado, tratamento e prevenção de doença.

1.- Exame radiográfico completo odontológico:

A decisão de fazer esse tipo de radiografia depende da avaliação do profissional feita sobre as condições da cavidade bucal do paciente. Durante a visita inicial do paciente a um Cirurgião Dentista, o exame clínico abrangente deve ser seguido de uma série completa de radiografias da boca. Essa série de radiografias é feita por duas razões: determinar a condição dos dentes e ossos, e estabelecer um parâmetro para alterações futuras. O Odontólogo não precisa repetir a série de boca completa por vários anos, a menos que o paciente tenha um histórico de trauma, cirurgia extensa ou tratamento ortodôntico, ou se um exame clínico exija que a série seja repetida. Em tais casos, uma série de radiografias da boca completa pode Ter que ser repetido após um intervalo de alguns meses ou alguns anos. A Academia Americana de Radiologia Buco-Maxilofacial e a American Dental Association, não especificam o intervalo que deve haver antes de repetir o conjunto radiográfico de boca completa. Esse exame é apropriado sempre que um paciente apresenta-se com evidência clínica de doença dentária generalizada, ou com um histórico de tratamento extenso.

2.- Exame parcial (algumas tomadas):

As radiografias devem ser executadas sempre que necessário por razões preventivas, em casos de perda do dente, dor no dente, no osso maxilar ou para avaliar o progresso do tratamento dentário.

3.- Radiografias interproximais dos dentes posteriores para pacientes em retorno:

Essas radiografias devem sempre ser tomadas quando um exame clínico exige. Para pacientes em retorno, o intervalo entre refazer as radiografias depende da idade do Paciente, propensão à cárie, e histórico da doença periodontal. O intervalo pode ser tanto de seis meses quanto de trinta e seis meses. Para um paciente adulto que mantém boa higiene bucal, o intervalo médio de tempo para retomada das radiografias proximais posteriores é de vinte e quatro a vinte e quatro meses. Para o paciente com alto risco de cáries, ou com um histórico de doença periodontal o intervalo médio é de seis a doze meses.

@ As radiografias feitas anteriormente num outro Cirurgião Dentista podem ser usadas, ou há a necessidade de pedir novas radiografias?

Sim, desde que essas radiografias feitas anteriormente sejam de boa qualidade para diagnóstico. Além disso, o Cirurgião Dentista pode precisar fazer mais algumas, para determinar as condições atuais da cavidade bucal. Se as radiografias anteriores são de má qualidade diagnóstica, o profissional deve fazer uma nova série de radiografia da boca completa independente do tempo que foram feitas.

@ Pode-se usar uma radiografia panorâmica ao invés de uma série completa de radiografias dentais?

As radiografias panorâmicas são úteis para determinar a condição geral da saúde bucal de um paciente e para confirmar a presença de grandes lesões ósseas. Diferente das radiografias intrabucais, as radiografias panorâmicas não revelam com clareza pequenas lesões como cárie, perda óssea e aumento do espaço periodontal. Alguns Cirurgiões Dentistas usam uma radiografia panorâmica apenas, enquanto outros preferem o uso de uma radiografia panorâmica com radiografias interproximais ao invés de uma série da boca completa.

É legalmente inadequado substituir uma radiografia panorâmica por uma série da boca toda. O que se segue é uma afirmação de Zinman, feita em 1977, onde o “Council of Dental Devices and Materials”confiou na pesquisa dentária existente ao afirmar que tomogramas (panorâmicas) eram diagnosticamente inferiores aos filmes periapicais. Em numerosos processos legais, que envolveram fraturas, defeitos periodontais interproximais e cáries não tinham sido diagnosticados com um filme tomográfico (panorâmico) mas foram detectados com o uso de radiografias periapicais. É claro que fdada radiografia deve ter qualidade para diagnóstico, independente do tipo de técnica usada.

@ Se um paciente recebeu radiação X excessiva por alguma outra razão, deve o Cirurgião Dentista evitar fazer novas radiografias? Em outras palavras, radiografar um paciente depende de seu histórico radiográfico?

Não. Mesmo que um paciente possa ter recebido altas doses de raio X, por causa de uma tomografia computadorizada, na região do tórax, abdômen, crânio, mãos ou pés, a decisão de radiografar os dentes e maxilares está baseada na necessidade de diagnóstico e tratamento dentário. Uma vez que espera-se que as radiografias dentárias forneçam informação para diagnóstico, elas devem ser feitas independente do histórico radiográfico do paciente.

@ Se um paciente recebeu radiação para terapia de câncer na área da cabeça e pescoço, as radiografias dentais devem ser executadas?

Sim. Um paciente nessas condições é mais suscetível à infecção dentária. Portanto, as radiografias de diagnóstico dentário são especialmente importantes para esses pacientes para detectar e controlar a formação de cáries e infecção óssea. Na verdade, esses pacientes devem ser radiografados com maior frequência que os outros pacientes.

@ Com que frequência deve-se fazer radiografias em crianças?

O intervalo entre as radiografias deve ser determinado para cada criança baseado na sua condição de saúde bucal. Em geral, as crianças são mais suscetíveis aos efeitos dos raios X que os adultos e, portanto o número de radiografias feitas deve ser o mínimo possível. Algumas crianças são mais suscetíveis á cárie dentário que outras, portanto, requerem freqüentes exames radiográficos. Em uma criança, o exame radiográfico pode consistir de vistas oclusais e/ou interproximais posteriores ou uma vista panorâmica e interproximais.

@ Que quantidade de exposição recebem os órgãos reprodutores durante as tomadas de radiografias dentárias? Se uma paciente está gravida ou suspeita de gravidez, deve-se adiar a tomada de radiografias?

Se um avental de chumbo não for usado, os órgãos não protegidos recebem aproximadamente 0,4 mRad (0,0004mGy) de dose de raio X de uma série de exame completa de radiografias da boca. Os ovários não protegidos recebem aproximadamente 0,08 mRad (0,0008mGy) de radiação. O uso de um avental de chumbo durante a exposição reduz essa radiação a quase para homens e mulheres. Clinicamente, um avental de chumbo deve ser usado em todos os pacientes todas as vezes mesmo quando a quantidade de radiação é minúscula.

Às vezes um Cirurgião Dentista pode determinar que uma mulher grávida necessita apenas de tratamento eletivo, e pode decidir adiar as radiografias e o tratamento até o período pós-parto. Embora a evidência científica indique que uma paciente grávida possa ser radiografada, a pressão psicológica e a preocupação, muitas vezes forçam o adiamento do exame radiográfico.

@ Que quantidade de exposição recebe a face do paciente nas tomadas radiográficas? Podem os raios X odontológicos provar o câncer de pele.

Dependendo da técnica, equipamento, tipo de filmes e fatores de exposição, a pele do paciente recebe aproximadamente 150 mR a 500 mR por tomada. Para produzir câncer de pele, são necessárias exposições de milhares de roentgens. Isso não é possível com o uso de aparelhos de raios X odontológicos que tem produções e doses muito baixas. O uso de um curto tempo de exposição em uma pequena área evita qualquer possibilidade de dano à pele.

Não existe um único registro de caso de um paciente que tenha desenvolvido câncer de pele usando radiografias dentárias para diagnóstico. A exposição de radiação durante um exame de raio X é tão pequena que o risco que contribua com o câncer é extremamente pequeno. Há casos documentados de profissionais que desenvolveram carcinomas em seus dedos. Estes foram causados por repetidas exposições durante anos, nos dedos dos Cirurgiões Dentistas que seguravam os filmes para os pacientes.

@ Que quantidade de radiação X recebe a glândula tireóide nas radiografias dentais? É necessário usar um protetor?

A exposição à radiação da glândula tireóide varia com o tipo do filme, técnica, e equipamento usado. Em uma série da boca toda a glândula tireóide recebe de 35 mRad a 80mRad (0,35 mGY a 0,80 mGy). Essa quantidade é muito menor que aquela recebida pela tireóide de radiação de fundo natural. Sob as recomendações radiográficas atuais, a quantidade de radiação a essa área não é considerada grande o bastante para produzir efeitos danosos a esse tecido.

Uma proteção da tireóide pode prevenir que a radiação externa alcance a glândula tireóide, mas não pode evitar que a radiação X dispersa produzida pela face e pescoço do paciente atinja a glândula tireóide. De acordo com o “BUHEAU OF RADIOLOGICAL HEALT” o uso de uma proteção à tiróide com chumbo é recomendado mas não imprescindível. Embora a evidência científica não exija o uso de um protetor de tireóide, a pressão do consumidor e seu receio quanto aos possíveis danos, podem forçar o seu uso. Esta proteção da tireóide não deve ser usada nas radiografias panorâmico e cefalométrica, porque protegeria partes da mandíbula e invalidaria o exame radiográfico destas áreas.

@ Que quantidade de raios X recebem os olhos nos exames radiográficos dentários? Eles podem causar catarata?

Dependendo do tipo do filme, técnica e equipamento usado, o globo ocular recebe em um exame completo (boca toda) de 0,002 Rad a 0,800 Rad (0,02 mGy a 8 mGy). Verificamos que essa quantidade é muito pequena, especialmente quando comparada aos 200 a 500 Rad necessários para o limiar de risco da catarata. Baseado na evidência científica disponível, as baixas doses de radiação usadas no diagnóstico radiológico dentário não contribuem para o desenvolvimento da catarata.

@ Que quantidade de radiação um paciente recebe na radiografia panorâmica?

Na radiografia panorâmica o aparelho gira ao redor da cabeça do paciente, portanto, a quantidade de exposição recebida é diferente para cada área da cabeça do paciente. Isso torna difícil comparar com precisão a exposição recebida da radiografia panorâmica com a da série de boca toda. Geralmente, a quantidade total de radiação recebida da radiografia panorâmica é menor que uma série completa da boca toda.

@ As radiografias pertencem ao paciente ou ao dentista?

Toda documentação do tratamento dentário, inclusive as radiografias são propriedade do Cirurgião Dentista, porém, o paciente tem acesso aos registros. Uma cópia das radiografias pode ser enviada a outro profissional ou pode ser dada ao paciente. Se, por alguma razão, o Cirurgião Dentista tiver que enviar os originais a outro profissional então uma cópia diagnosticamente aceitável deve ser retida no prontuário do paciente. A conta pode ser enviada ao paciente ou ao outro profissional, ou pode fazer as cópias gratuitamente para não perder o paciente.

@ Por que os Cirurgiões Dentistas e Assistentes saem da sala quando o paciente está sendo radiografado?

Quando um paciente é radiografado, ele recebe o benefício do diagnóstico e do tratamento subsequente. Não existe razão lógica para a exposição desnecessária do Cirurgião Dentista e da Assistente à radiação, sem qualquer benefício correspondente de diagnóstico ou tratamento. Além disto, os Odontólogos e Assistentes são expostos várias vezes por dia, e continuamente, à radiação dispersa, que pode ser prejudicial a eles. Portanto, é prudente que a equipe odontológica evite a exposição desnecessária.

@ Quando um paciente se recusa a tirar radiografias, o Cirurgião Dentista deve se proteger legalmente com um documento assinado pelo paciente?

Um paciente não pode legalmente consentir num tratamento negligente. Este procedimento é contrário à lógica e à saúde pública, e, portanto, uma nulidade legal que um paciente concorde antecipadamente em não processar o Cirurgião Dentista por um mau atendimento. Se as radiografias são para o diagnóstico ou terapêutica necessárias, a norma exige que o profissional se recuse a fazer o tratamento se o paciente rejeita as radiografias que são necessárias?

@ Existe risco de AIDS por tirar radiografias odontológicas?

A radiografia dentária é um procedimento não invasivo, ou seja, a possibilidade do sangue do paciente entrar em contato com a pessoa que faz a radiografia é minúscula, a menos que os tecidos bucais estejam lesionados. Precauções adicionais como o uso de luvas, esterelização dos instrumentos e outros procedimentos que controlem a infecção, tornam a radiografia dentária um dos mais seguros procedimentos em odontologia.

CONCLUSÃO___________________________________________________

Embora o risco de efeitos somáticos e genéticos do raio X para diagnóstico dental seja mínimo, Cirurgiões Dentistas e Assistentes devem fazer uma abordagem preventiva. As radiografias devem feitas após o exame clínico da cavidade bucal. É contra indicado o uso indiscriminado da radiografia. As radiografias dentárias são essenciais para o benefício do paciente para diagnosticar, tratar e prevenir doenças. Com um equipamento calibrado, técnicas inadequadas, filmes mais sensíveis e o uso criterioso, o risco dos efeitos danosos das radiografias é quase inexistente.

Uniterms: Radiographic examination; Protection; Rules.

ABSTRACT____________________________________________________

In the last few years, consumer groups, environmentalists, the news media, government agencies, and members of the health professions have been increasingly concerned with the potential risk of X-radiation exposures. As a result, the use of diagnostic medical and dental X-rays is being questioned. Patients, who either have a multitude of questions about x-rays, or who have resolved not to be exposed to any more X-rays under any circumstances, confront dentists about the danger of radiation. This refusal to be X-radiated stems from misinformation and fear. Wellinformed patients will discuss and understand the need for the use of diagnostic X-rays. The purpose of this article is to discuss, in detail, questions most frequently asked by patients about X-rays.

Although the risk of somatic and genetic effects from diagnostic dental X-rays is minimal, dentists and auxiliaries must take a conservative approach. Radiographs should be made after clinical examination of the oral catity. The ad libitum use of X-rays is contraindicated. Dental radiographs are essentail for the patient’s benefit to diagnose, treat and prevent diseases. With safe equipment, modern techniques, fast films and judicious use, the risk of harmful effects from dental X-rays is almost nonexistent.

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Artigo traduzido e adaptado pelo Prof. Dr. Orivaldo TAVANO.

Professor Titular de Radiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru. Universidade de São Paulo (Aposentado).

Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Radiologia da Universidade Camilo Castelo Branco – UNICASTELO.

Vasculite Leucocitoclástica

Vasculite Leucocitoclástica

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- Introdução
- Manifestações Clínicas
- Exames complementares
- Tratamento
- Conclusão
- Referências Bibliográficas

A Vasculite Leucocitoclástica é um termo histopatológico comumente utilizado como referência para vasculites de pequenos vasos que podem produzir manifestações agudas ou crônicas nos mais diversos órgãos, incluindo pele, articulações, rins e trato gastrintestinal. Em metade dos pacientes, o distúrbio não possui uma causa identificável.

Introdução

A Vasculite Leucocitoclástica (VLC) é um distúrbio pouco comum decorrente de reações de hipersensibilidade. Calcula-se que a VLC afete anualmente cerca de 10-30 pessoas a cada grupo de 1 milhão.

O prognóstico do distúrbio é bom na maioria dos casos, mas a doença cutânea pode se manifestar na forma de ulcerações ou crises dolorosas e recorrentes de púrpura. Na presença de comprometimento renal, gastrintestinal, cardíaco ou do SNC, o risco de complicações (e até mesmo óbito) aumenta significativamente.

A VLC afeta homens e mulheres em iguais proporções, em praticamente todas as faixas etárias.

No passado, acreditava-se que os complexos imunes circulantes fossem a causa da VLC. Porém, pesquisas mais recentes sugerem que outros auto-anticorpos, tais como o anticorpos anti-neutrófilos, e fatores locais que envolvem as células endoteliais, podem ter um papel importante. Apesar disso, o exato mecanismo fisiopatológico permanece um mistério em mais da metade dos casos.

Manifestações Clínicas

A vasculite cutânea pode se manifestar na forma de prurido, queimação ou dor, ou ser completamente assintomática. Ela pode se apresentar como uma erupção isolada ou em associação a colagenoses, paraproteinemia, secundária ao uso de certos alimentos, medicamentos parenterais, infecções ou, raramente, neoplasias.

Por estes motivos, durante a anamnese, é importante colher informações com o paciente sobre possíveis manifestações sistêmicas concomitantes, incluindo febre, artralgia, artrite, mialgia, cólicas abdominais, diarréia, hematoquezia, tosse, hemoptise, sinusite, parestesias, fatigabilidade, adinamia e hematúria.

É importante manter-se atento para a possibilidade de uso de drogas injetáveis, passado de hepatite, hemotransfusões, doença inflamatória intestinal e doenças do colágeno (particularmente artrite reumatóide, lúpus eritematoso e síndrome de Sjogren).

Ao exame físico a manifestação mais freqüente da vasculite cutânea é a púrpura palpável, com lesões arredondadas de 1-3 mm de diâmetro. Elas podem coalescer para formar placas e, em alguns casos, podem ulcerar. As lesões são mais comuns nas pernas, mas qualquer superfície do corpo pode ser afetada.

Alguns pacientes podem apresentar lesões urticariformes, que antecedem as lesões purpúricas, possuem duração superior a 24h e tendem a se resolver com um certo grau de pigmentação residual ou equimose. A sensação de queimação é maior que a sensação de prurido.

Pacientes com vasculite urticariforme por hipocomplementenemia podem desenvolver doença pulmonar obstrutiva crônica, justificando um exame cuidadoso do coração e dos pulmões.

O levedo articular é mais comum em pacientes com vasculopatia oclusiva ou inflamatória em vasos de médio calibre.

Vasculite Leucocitoclástica: principais diagnósticos diferenciais

  • Amiloidose inflamatória
  • Síndrome Antifosfolipídica
  • Doença de Behçet
  • Púrpura trombocitopênica autoimune
  • Meningococcemia
  • Escorbuto
  • Granulomatose de Wegener
  • Vasculite por hipersensibilidade
  • Mixoma atrial

Exames complementares

A avaliação complementar do paciente possui dois objetivos: (1) determinar a presença de doença sistêmica e (2) identificar distúrbios associados que podem influenciar o prognóstico do paciente.

Apesar de ainda não existir uma diretriz clara, todos os pacientes adultos devem realizar um hemograma completo, velocidade de hemossedimentação, urinálise e bioquímica sangüínea. Estudos sorológicos, tais como anticorpos antinucleares, fator reumatóide e sorologia anti-HIV, devem ser realizados nos pacientes sem uma causa óbvia para a VLC. A radiografia simples do tórax possui as mesmas indicações.

Nos casos de suspeita de Lúpus Eritematoso ou com vasculite urticariforme, devem ser dosados os níveis séricos de Complemento Hemolítico Total (CH100 ou CH50), C3 e C4. Nos pacientes sem outras alterações identificáveis, os exames complementares devem incluir eletroforese de proteínas plasmáticas, dosagem de crioglobulinas e de anticorpos anti-hepatite C vírus (HCV).

As crioglobulinas costumam estão presentes especialmente nos pacientes com infecções como Hepatite C e endocardite bacteriana. Pacientes com febre e/ou sopros cardíacos devem ser submetidos a um ecocardiograma. Pacientes com síndromes vasculíticas mais severas podem necessitar Angiografia Visceral.

A biópsia de lesões cutâneas está indicada em virtualmente todos os pacientes adultos.

Tratamento

Uma vez estabelecido o diagnóstico de vasculite cutânea de pequenos vasos e feita a avaliação completa do paciente, existem várias opções terapêuticas específicas e inespecíficas, incluindo elevação e repouso das áreas afetadas (quando possível), tratamento da causa (quando identificável), etc.

Nos pacientes com doença cutânea com ou sem manifestações articulares, indica-se colchicina ou dapsona. Pacientes com lesões urticariformes devem ser tratados com anti-histamínicos. Em alguns casos, é preciso combinar vários agentes para controlar as manifestações da VLC.

Indivíduos com comprometimento visceral grave podem necessitar doses maiores de corticosteróides (até 1-2 mg/kg/dia), com ou sem agentes imunossupressores (p.ex.: ciclofosfamida, azatioprina, metotrexate). Nos casos com risco de morte, pode-se lançar mão de agentes biológicos como rituximab ou imunoglobulina endovenosa.

A intervenção cirúrgica raramente é necessária, exceto nos casos em que um tumor foi identificado como a causa do processo.

Conclusão

A Vasculite Leucocitoclástica (VLC) é um distúrbio imune pouco comum. Seu diagnóstico e tratamento podem ser desafiadores, Não existe uma terapia eficaz para todos os pacientes. O prognóstico do distúrbio dependerá da presença de disfunção em órgãos-alvo: pacientes com doença restrita à pele e/ou articulações possuem um prognóstico mais favorável, ao passo que aqueles com granulomatose de Wegener, poliarterite nodosa, síndrome de Churg-Strauss ou vasculite necrotizante severa possuem um curso clínico mais potencialmente fatal.

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  11. Pique E, Palacios S, Santana Z. Leukocytoclastic vasculitis presenting as an erythema gyratum repens—like eruption on a patient with systemic lupus erythematosus. J Am Acad Dermatol. 2002 Nov;47(5 Suppl):S254-6.
  12. Venzor J, Lee WL, Huston DP. Urticarial vasculitis. Clin Rev Allergy Immunol. 2002 Oct;23(2):201-16.
  13. Cuellar ML. Drug-induced vasculitis. Curr Rheumatol Rep. 2002 Feb;4(1):55-9.
  14. Weidner N. Introduction. Vasculitis. Semin Diagn Pathol. 2001 Feb;18(1):1-2.

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quarta-feira, 9 de abril de 2008

FRENECTOMIAS E BRIDOTOMIAS

FRENECTOMIAS E BRIDOTOMIAS

(Autor não identificado). Fonte: Internet

Aspéctos Embriológicos

Fonseca (1970) descreveu com detalhes a embriologia do freio labial superior:

  • Fase I: Afirma que aos três meses de vida intra uterina, já se pode notar na porção anterior do palato, uma saliência arredondada, a papila palatina. Nesta mesma fase o lábio superior se apresenta dividido em duas zonas: uma externa lisa e uma interna rugosa. Na média da zona rugosa, existe uma proeminência, o tubérculo do lábio superior. Ligando o tubérculo do lábio superior à papila palatina, existe uma brida, o chamado "Freio Técto Labial."
  • Fase II: Nos primeiros dias de vida extra uterina, nota-se que o processo alveolar está se projetando entre o palato e o lábio superior, separando ou interrompendo o freio técto labial que é posteriormente macerado pela aproximação dos incisivos centrais decíduos ocorrendo então, a separação definitiva desta ligação entre o tubérculo do lábio superior e a papila palatina.
  • Fase III: Assim, o freio labial definitivo fica inserido no tubérculo do lábio superior e na porção profunda do rebordo alveolar.

ASPÉCTOS ANATÔMICOS

O aspecto normal do freio labial, no adulto, é uma prega fina, triangular, de base voltada para cima, em lâmina de faca (prega de mucosa) que tem uma origem relativamente profunda no interior do lábio superior, estendendo-se para trás e para cima, indo se inserir na porção mediana da vertente vestibular do processo alveolar e terminando em um ponto a 4 ou 5 mm acima do septo gengival interproximal, entre os incisivos centrais.

Jacobs(1932) conceituou: Freio é uma prega da mucosa bucal que partindo da face interna do lábio vai se inserir sobre a linha de união de ambos os maxilares superiores .

Mac Coy: afirma que , no recém-nascido, esta estrutura estende-se do lábio à borda gengival, alterando-se posteriormente para sua posição definitiva devido à erupção dental e à expansão do rebordo alveolar.

Alguns freios podem atingir a borda óssea alveolar, e virem a se inserir na papila interdentária, no palato, provocando um diastema.

Nos adultos ( Sicher & Tandler- 1950) afimaram que o freio labial suoperior insere-se na porção mediana de 5 a 8 mm acima do rebordo gengival terminal e o fundo do sulco vestibular.

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Whinston (1950) os freios podem estar localizados na cavidade bucal nas seguintes regiões:

Maxila:

  1. Da linha mediana estendendo-se do lábio superior à mucosa gengival, entre os incisivos centrais.

Mandíbula:

  1. Na linha mediana, estendendo-se do lábio inferior à mucosa gengival, entre os incisivos centrais.
  2. Em qualquer posição lateral à linha mediana tanto na maxila quanto na mandíbula, estendendo-se da bochecha à mucosa gengival.

Na linha mediana estendendo-se da superfície inferior da língua ao assoalho da boca.

De acordo com Dewel (1946) o freio labial está sujeito a certas variações em forma, tamanho e posição. Alguns freios são amplos e resistentes; outros são finos e frágeis

ASPECTOS HISTOLÓGICOS

Jacobs (1932) afirmou que a prega que forma o freio se constitui histológicamente por três planos:

  1. Plano mais superficial: constituído por epitélio pavimentoso estratificado, característico da mucosa bucal.
  2. Plano intermediário ou a lâmina própria: é formado por tecido conjuntivo de estrutura fibro- elástica, apresentando apreciável quantidade de tecido gorduroso em indivíduos obesos.

Plano mais profundo: sub- mucoso contendo glândulas mucosas e vasos linfáticos.

O freio é composto quase que exclusivamente por tecido conjuntivo altamente vascularizado, coberto superficialmente por epitélio pavimentoso estratificado. As fibras conjuntivas se dispõe em tramas regulares, arranjadas em formas de cordões dispostos ântero- posteriormente.

Na extremidade anterior, elas se unem frouxamente com as fibras da sub mucosa do lábio, e em sua inserção alveolar se anastomosam com as fibras da camada externa do muco- periósteo e do tecido conjuntivo que recobrem a sutura mediana maxilar.

Frenectomias e bridotomias

ASPECTOS FISIOLÓGICOS

Dewell (1946): não se determinou nenhum aspécto fisiológico específico ao freio labial.

Pela sua estrutura histológica, é capaz de adaptar-se a qualquer dos movimentos dos lábios, sem grandes alterações em sua forma.

Alguns autores afirmam que as funções do freio, no adulto, limita-se à moderação da movimentação labial, estabilizando-o de forma a impedir excessiva exposição da mucosa gengival.

ANOMALIAS DO FREIO LABIAL

Anomalias de posição são observadas quando a inserção muco- gengival ou alveolar do freio labial persiste após a completa erupção dos incisivos centrais e laterais permanentes superiores.

A persistência desses freios anormalmente posicionados pode acarretar restrição de movimentação de lábio superior, e interferir na mímica facial e na própria fonação, Parker (1937).

TIPOS DE FREIOS LABIAIS

Segundo Monti (1942) são três os tipos de freios:

1-Tipo alargado, porém apresenta seus bordos direito e esquerdo paralelos:

A anomalia causada por este freio: é um diastema entre os incisivos centrais, que caracteriza-se pelos dentes apresentarem paralelismo em seus longos eixos.

2-Freio em forma de triângulo, cuja base coincide com o sulco gengiva:

Anomalia: origina um diastema cuja característica residem que os eixos dos incisivos centrais são convergentes, estando suas coroas mais próximas que seus ápices.

3-Freio em forma triangular de base inferior:

  • Anomalia: origina um diastema onde seus longos eixos são convergentes em sentido apical, sendo que, suas coroas estão amplamente separadas e seus ápices se aproximam.
  • Indicações do tratamento a ser realizado no freio labial:

    Shultz (1941) – existem duas escolas antagônicas: Cirúrgica e Conservadora; e existem indicações precisas à execução ou não da frenectomia:

    1. Conservadora: Não se intervém cirurgicamente em um freio com pequeno volume interligando o lábio aos incisivos centrais.
    2. Cirúrgica:

    I - Freio labial superior com profunda extensão para lingual, constituído de densa massa muscular estendendo-se por entre os dentes.

    II – freio labial superior de volume muito pequeno, porém, capaz de produzir repuxamento do lábio superior, provocando seqüela estética.

    III – Freios que provocam outras interferências funcionais inclusive na fonação.

    IV – Quando o freio interfere na estabilidade e na retenção de aparelhos protéticos totais superiores.

    Oportunidade da Remoção do Freio

    Por razões ortodônticas, protéticas e periodontais

    Mum (1953) e Thoma – acreditam que o momento para realizar a frenectomia é após o irrompimento dos incisivos laterais permanentes, onde através das forças naturais tivessem tido tempo para tentar o fechamento do espaço existente.

    Finalidades: Fonseca (1970) – cita as indicações da frenectomia labial com finalidades protéticas, ortodônticas e periodontais.

    Finalidades Protéticas: Quando o diastoma dos incisivos centrais, promove trauma mastigatório com irritação constante favorecendo o surgimento de aftas, e apresentando problemas que dificultam a sucção dos alimentos, a fonação e a adaptação de prótese total.

    Finalidades Ortodonticas: O autor julga que se deva executar a frenectomia com papilectomias aos 8 anos de idade quando os incisivos laterais já erupcionaram, e não ocorreu a regressão natural do freio labial.

    Shirazy (1938), é de opinião que o tratamento ideal consiste em corrigir-se o diastema por meios ortodônticos, e através da cirugia reposicionar-se o freio, ainda quando as aplicações ortodônticas estão em posição.

    Finalidade Periodontal: Hirschfeld (1939) foi o primeiro a alertar sobre a inserção marginal do freio como fator etiológico da deformidade periodontal avançada, recomendando sua excisão.

    Gottsegen (1954) demonstrou que os freios com inserção muito próximas à margem gengival livre causam problemas ao periodonto por várias razões:

    1. Dificuldade na escovagem dental correta, facilitando o acúmulo de restos alimentares na área cervical dos dentes.
    2. Tensão direta, exercida sobre a gengiva marginal, durante a movimentação do lábio e da língua deslocando a mucosa gengival do periodonto de sustentação.
    3. Após curetagens gengivais, ou outras manipulações cirúrgicas do periodonto, o trauma do freio com inserção baixa, pode impedir uma adequada evolução da reparação tecidual.

    Para Ewen(1968), no que se relaciona aos problemas de moléstias periodontais que decorrem do freio labial, a junção muco-gengival é a chave topográfica da mesma.

    A opinião atual dos autores é que o freio, em crianças, deve ser operado após a erupção dos caninos permanentes; Ries Centeño (1968).

    ASPECTOS DE TÉCNICAS CIRÚRGICAS

    Técnica de Federspiel(1933)

    • Incisão circunferencial: Faz-se a incisão em forma elípticaem toda extensão do freio labial, abragendo o periósteo subjacente.
    • Divulsão e exérese e
    • Síntese

    Técnica de Ries Centeño: Preconizada pelo autor para freios labiais presentes em pacientes desdentados, interferindo na confecção e retenção de prótese total.

    • Incisão da mucosa gengival, em forma retangular, suficientemente distante da base de inserção do freio labial, na vertente vestibular do rebordo ósseo alveolar.
    • Divulsão de todo tecido mole circunscrito pelo traçado incisional, inclusive a inserção no periósteo, do freio labial.
    • Deslizamento e sutura de todo o tecido divulsionado em sentido às fossas nasais, o suficiente para que o freio labial não interfira na adaptação da prótese e mantê-lo nesta nova posição por suturas com pontos isolados.

    Técnica de Mead

    • Incisão em toda extensão da periferia do freio, feita em ângulo de 45 graus.
    • Divulsão de todo o tecido do freio incisado, inclusive periósteo.
    • Incisão na parte inserida do freio (base), executada por tesoura.
    • Síntese esta deve ser iniciada no ponto mais alto da incisão, sendo que, deve-se iniciar por um dos lados, passar por dentro da base do freio, e após, passar pelo outro lado da incisão, fazendo-se a primeira sutura com a finalidade de se formar um novo freio. A seguir, faz-se as outras suturas, quantas se fizerem necessárias.

    Técnica de Archer(1968): Preconizada pelo autor, para inserção baixa de freio labial hipertrofiado.

    • Preensão do freio: com duas pinças hemostáticas, em suas porções mais próximas do rebordo alveolar e da mucosa labial.
    • Incisão: dos tecidos apreendidos, acompanhando a superfície externa das pinças hemostáticas, sendo que a primeira incisão deve ser realizada sob a pinça do rebordo e a outra incisão, sobre a pinça da mucosa labial.
    • Sutura: para a exérese do freio labial hipertrofiado, além do passos cirúrgicos descritos, o autor preconiza:
    • Incisão em forma de cunha, da mucosa entre os incisivos centrais, abrangendo a porção do freio que se encontra com inserção palatina.
    • Tamponamento: da ferida cirúrgica entre os incisivos, com gaze iodoformada e expessa pasta de óxido de zinco e eugenol. Porém, apenas a sutura é suficiente para fechar a ferida cirúrgica. Para isto é necessário realizarmos uma boa divulsão dos tecidos moles em volta da incisão do freio labial.

    FREIO LINGUAL

    O freio lingual geralmente é flácido e alargado; une o centro da face interna da mandíbula com a face inferior da língua. Ele é constituido por um tecido conjuntivo rico em fibras colágenas e elásticas, células gordurosas, algumas fibras musculares e vasos sangüíneos, estruturas essas recobertas por tecido epitelial pavimentoso estratificado.

    • O freio lingual curto modifica a mecânica funcional da língua e de outras estruturas bucais, limitando consideravelmente os movimentos linguais atrapalhando a fonética.
    • Quando é grosso e hipertrófico, pode inserir-se na crista do rebordo alveolar, provocando um diastema entre os incisivos centrais inferiores(anomalia hereditária).
    • No récem- nascido, o freio tem uma amplitude que vai desde a base do processo alveolar da mandíbula até o ápice da língua.
    • Com o tempo, há alongamento da língua e o freio vai ocupar a porção da face anterior da língua, uma posição que passa a Ter caráter definitivo.
    • Outras vezes, insere-se em uma pronunciada exostosis lingual que não deve ser confundido com a apófise gene.
    • Todas estas características criam outros tantos problemas para: a fonética, a estética, a prótese e a ortodontia; sendo que o problema mais comum que enfrentamos é com a prótese, pois a simples inserção alta do freio pode movimentar a prótese dificultando a sua retenção. Isto pode ocorrer também nos desdentados totais, quando o freio insere-se na face superior do osso, originando as perturbações próprias da inserção alta.
    • A idade ideal para realizar-se a frenectomia lingual vai depender da perturbação que o freio está provocando.
    • Quando o freio limita os movimentos linguais, deve intervir-se em idade precoce, bastando um simples corte com tesoura.
    • Se interferir com a prótese ou com a ortodontia, a cirurgia desse freio, deve ser realizada antes destes tratamentos serem iniciados.

    A técnica cirúrgica consta de:

    • Elevar a língua o máximo em direção ao palato, mantendo-se a boca aberta, o freio lingual tenso, e aí secciona- o com tesoura ou bisturi. Este seccionamento fazendo-se o uso de uma tesoura cirúrgica dá-se um pique na porção mediana do freio distendido, obtendo-se uma via cirúrgica para divulsionar as estruturas do freio, liberando a funcionalidade da língua.
    • Esta imobilização pode ser realizada com a transfixação da ponta da língua com fio de seda ou de algodão ou de nylon, preso por uma pinça hemostática para permitir, com segurança, movimentar a própria língua, expondo o campo cirúrgico.
    • Quando da realização da sutura devemos ter o máximo de cuidado para não provocarmos o aparecimento de um cisto de retenção ( ex: rânula) com o fechamento do conduto excretor da glândula sub língual na região da carúncula.

    BRIDAS VESTIBULARES E LINGUAIS

    As bridas são estruturas fibrosas, congênitas ou adquiridas, situadas predominantemente no lado vestibular da cavidade bucal, onde promovem a diminuição do fundo de sulco. Diferenciam-se dos freios quase que exclusivamente na largura, pois os freios geralmente não têm mais que 1ou 2 mm de largura em sua inserção gengival, enquanto que as bridas podem ter vários mm a 1cm ou às vezes mais. Podem ser congênitas ou adquiridas. As adquiridas são resultantes de intervenções cirúrgicas, acidentes, ou processos infecciosos, não são nada mais que cicatrizes fibrosas ou aderências cicatriciais.

    A cirurgia está indicada quando originam perturbações funcionais ou se constituem em inconveniente para as próteses, prejudicando, principalmente a sua estabilidade e a sua retenção; ou quando originam também perturbações para a ortodontia.

    A técnica cirúrgica deve realizar a desinserção total, isto é, a eliminação de toda a extensão do tecido fibroso, principalmente na sua área de inserção periostal. A confecção de férulas de contenção ou suturas ou mesmo a colocação de cimento cirúrgico devem ser realizadas para impedir que possa ocorrer uma recidiva quando da sua cicatrização e, portanto, é semelhante à técnica cirúrgica proposta para as frenectomias labiais.

    terça-feira, 8 de abril de 2008

    Importância da Microbiologia

    Importância da Microbiologia

    É uma área da Biologia que tem grande importância seja como ciência básica ou aplicada.
    Básica: estudos fisiológicos, bioquímicos e moleculares (modelo comparativo para seres superiores). => Microbiologia Molecular
    Aplicada: processos industriais, controle de doenças, de pragas, produção de alimentos, etc.
    Áreas de estudo:

    Odontologia: Estudo de microrganismos associados à placa dental, cárie dental e doenças periodontais. Estudos com abordagem preventiva.
    Medicina e Enfermagem: - Doenças infecciosas e infecções hospitalares.
    Nutrição: - Doenças transmitidas por alimentos, Controle de qualidade de alimentos, Produção de alimentos (queijos, bebidas).
    Biologia: - Aspectos básicos e biotecnológicos. Produção de antibióticos, hormônios (insulina, GH), enzimas (lipases, celulases), insumos (ácidos, álcool), Despoluição (Herbicidas - Pseudomonas, Petróleo), Bio-filme (Acinetobacter), etc.
    BIOTECNOLOGIA - Uso de microrganismos com finalidades industriais, como agentes de biodegradação, de limpeza ambiental, etc.

    Microbiologia - Histórico da importância

    Um breve histórico da importância da microbiologia
    Efeitos das doenças nas civilizações
    Talvez um dos aspectos mais negligenciados quando se estuda a microbiologia refere-se às profundas mudanças que ocorreram no curso das civilizações, decorrentes das doenças infecciosas.
    De forma geral, as doenças provocavam um abatimento físico e moral da população e das tropas, muitas vezes influenciando no desenrolar e no resultado de um conflito.
    A própria mobilização de tropas, resultando em uma aglomeração, muitas vezes longa, de soldados, em ambientes onde as condições de higiene e de alimentação eram geralmente inadequadas, também colaborava na disseminação de doenças infecciosas, para as quais nnao exisitam recursos terapêuticos.
    Paralelamente, em áreas urbanas em franca expansão, os problemas mencionados acima eram também de grande importância, pois rapidamente as cidades cresciam, sendo que as instalações sanitárias geralmente eram completamente precárias.
    Com a prática do comércio entre as diferentes nações emergentes, passou a haver a disseminação dos organismos para outras populações, muitas vezes susceptíveis a aqueles agentes infecciosos.
    Abaixo listaremos, brevemente, um pequeno histórico com alguns exemplos dos efeitos das doenças microbianas no desenvolvimento de diferentes civilizações.
    O declínio do Império Romano, com Justiniano (565 AC), foi acelerado por epidemias de peste bubônica e varíola. Muitos habitantes de Roma foram mortos, deixando a cidade com menos poder para suportar os ataques dos bárbaros, que terminaram por destruir o Império.
    Durante a Idade Média varias novas epidemias se sucederam, sendo algumas amplamente disseminadas pelos diferentes continentes e outras mais localizadas. Dentre as principais moléstias pode-se citar: Tifo, varíola, sífilis, cólera e peste.
    Em 1346, a população da Europa, Norte da África e Oriente Médio era de cerca de 100 milhões de habitantes. Nesta época houve uma grande epidemia da peste, que disseminou-se através da “rota da seda” (a principal rota mercante para a China), provocando um grande número de mortes na Ásia e posteriormente espalhando-se pela Europa, onde resultou em um total de cerca de 25 milhões de pessoas, em poucos anos.
    Novas epidemias da peste ocorreram nos séculos XVI e XVII, sendo que no século XVIII (entre 1720 e 1722), uma última grande epidemia ocorreu na França, matando cerca de 60% da população de Marselha, de Toulon,. 44% em Arles, 30% em Aix e Avignon.
    A epidemia mais recente de peste originou-se na China, em 1892, disseminando-se pela Índia, atingindo Bombaim em 1896, sendo responsável pela morte de cerca de 6 milhões de indivíduos, somente na Índia.
    Antes da II Guerra Mundial, o resultado das guerras era definido pelas armas, estratégias e “pestilência”, sendo esta última decisiva. Em 1566, Maximiliano II da Alemanha reuniu um exército de 80.000 homens para enfrentar o Sultão Soliman da Hungria. Devido a uma epidemia de tifo, o exército alemão foi profundamente dizimado, sendo necessária a dispersão dos sobrevivente, impedindo assim a expulsão das hordes de tribos orientais da Europa nesta época.
    Na guerra dos 30 anos (1618-1648), onde protestantes se revoltaram contra a opressão dos católicos, além do desgaste decorrente da longa duração do confronto, as doenças foram determinantes no resultado final.
    Na época de Napoleão, em 1812, seu exército foi quase que completamente dizimado por tifo, disenteria e pneumonia, durante campanha de retirada de Moscou. No ano seguinte, Napolãeo havia recrutado um exército de 500.000 jovens soldados, que foram reduzidos a 170.000, sendo cerca de 105.000 mortes decorrentes das batalhas e 220.000 decorrentes de doenças infecciosas.
    Em 1892, outra epidemia de peste bubônica, na China e Índia, foi responsável pela morte de 6 milhões de pessoas.
    Até a década de 30, este era quadro, quando Alexander Fleming, incidentalmente, descobriu um composto produzido por um fungo do gênero Penicillium, que eliminava bactérias do gênero Staphylococcus, um organismo que pode produzir uma vasta gama de doenças no homem. este composto - denominado penicilina - teve um papel fundamental na desfecho da II Guerra Mundial, uma vez que passou a ser administrado às tropas aliadas, enquanto o exército alemão continuava a sofrer pesadas baixas no campo de batalha.
    Além destas epidemias, vale ressaltar a importância das diferentes epidemias de gripe que assolaram o mundo e que continuam a manifestar-se de forma bastante intensa até hoje. Temos ainda o problema mundial envolvendo a AIDS, o retorno da tuberculose (17 milhões de casos no Brasil) e do aumento progressivo dos níveis de resistência aos agentes antimicrobianos que vários grupos de bactérias vêm apresentando atualmente.